A proposta prevê que os trabalhadores passem a fazer 6h por dia e, consequentemente, 34 horas por semana. Atualmente, o regime é de 8h diárias e 44h semanais.
Correios anunciam novas medidas para estancar prejuízo de quase R$ 3 bi
Calculando as diferenças
Apesar dos Correios não serem obrigados pela Política de Dados Abertos a divulgar informações que deem mais transparência para as ações, por se tratar de uma empresa pública, eles disponibilizam arquivos com as remunerações atuais de cada um dos cargos e a remuneração base para quem topar reduzir a jornada.
📌A partir disso, o g1 fez um cruzamento entre todos os funcionários ativos e suas respectivas bases salariais válidas desde 1º de janeiro de 2025, já considerando o Acordo Coletivo de Trabalho assinado em 2024, e o valor que eles poderiam vir a receber caso aceitem a proposta.
Ao todo, são 87.523 servidores que ocupam 348 cargos do nível médio e superior. Esses funcionários ocupam vagas de analistas, agentes, técnicos, especialistas em saúde e carteiros.
A grande parte, 82.804, são funcionários de ensino médio, e outros 4.719 são de ensino superior. Para a conta, desconsideramos cargos de comando, já que eles não trabalham seguindo uma carga horária.
Mensalmente, esses funcionários acumulam uma base salarial de R$ 344.778.611,46, que serve de parâmetro para o cálculo do salário líquido. Ou seja, o valor que chega à conta dos funcionários, já descontado o correspondente ao Imposto de Renda e ao INSS.
Caso todos os funcionários venham a aceitar a redução, o valor total da base salarial seria de R$ 266.444.967,31 — ou seja, 29,40% menor. Totalizando um desconto mensal de R$ 78.333.644,15.
Os Correios não divulgaram por quanto tempo a nova política estará vigente, mas as diferenças se tornam ainda mais relevantes quando projetamos os valores para 12 meses.
O valor base de 8h de trabalho é de R$ 4,13 bilhões, enquanto o valor de base correspondente a 6h fica em R$ 3,2 bilhões. No total, a economia gerada pode atingir R$ 940 milhões.
As medidas
O documento, que foi divulgado internamente e disponibilizado pela empresa pode gerar uma economia de R$ 1,5 bilhão em 2025.
As medidas tomadas pela empresa são:
➡️Revisão da estrutura dos Correios Sede: redução de pelo menos 20% do orçamento de funções (redução dos cargos comissionados);
➡️Incentivo à redução da jornada de trabalho: diminuição do horário de trabalho para 6 horas diárias e 34h semanais. Atualmente, são 8h diárias e 44h semanais.
➡️Suspensão temporária de férias: a partir de 1º de junho de 2025, referente ao período aquisitivo deste ano. As férias voltarão a ser usufruídas a partir de janeiro de 2026;
➡️Prorrogação das inscrições para o Programa de Desligamento Voluntário (PDV): até 18 de maio de 2025, mantendo os atuais requisitos de elegibilidade;
➡️Incentivo à transferência, voluntária e temporária, de agente de correios: o pagamento do adicional de atividade será o mais vantajoso para empregados;
➡️Convocação para o retorno ao regime de trabalho presencial: todos os empregados devem retornar ao trabalho presencial a partir de 23 de junho de 2025, com exceção daqueles protegidos por decisão judicial;
➡️Lançamento de novos formatos de planos de saúde: a escolha da rede credenciada será dialogada com as representações sindicais. A economia estimada será de 30%;
➡️Lançamento do marketplace próprio ainda em 2025;
➡️Captação de R$ 3,8 bilhões com o New Development Bank (NDB), para investimentos internos.
Na terça-feira (13), a empresa divulgou uma nova listagem de medidas que serão tomadas para buscar reverter os seguintes resultados negativos nos últimos anos.
Para alcançar esse objetivo, a empresa pretende adotar mais medidas de contenção de gastos como:
➡️Compartilhamento de unidades operacionais;
➡️Venda de imóveis ociosos;
➡️Redução de custos com manutenção;
➡️Otimização da malha operacional e logística;
➡️Revisão de contratos nas 10 maiores Superintendências Estaduais;
➡️Reestruturação da rede de atendimento;
➡️Aprimoramento da malha de transporte aéreo e terrestre.
Além de reduzir gastos operacionais, os Correios esperaram elevar o lucro com as operações em R$ 3,1 bilhões, movidos pelas seguintes medidas:
➡️Segmento internacional e encomendas: expansão de negócios com novos modelos operacionais, políticas de precificação customizadas e fortalecimento da atuação comercial;
➡️Setor público: novas soluções de logística e mensagens para órgãos públicos (educação, saúde, gestão documental, e-commerce público).
➡️Novos clientes: expansão e incentivo a clientes de pequeno e médio portes e vendedores do comércio eletrônico.
➡️Varejo: rentabilização dos canais físicos e ampliação de produtos e serviços de terceiros.